Os Novos Excluídos
Não me
considero uma má pessoa. Sei que tenho meus defeitos e cometo erros
propositadamente ou não, como qualquer ser humano. Mas não desejo o mal para os
outros, nem exploro força de trabalho alheia, nem quero que exista pobreza ou
miséria. Não me considero elite branca paulista, não sou ruralista, nem
burguês, nem capitalista selvagem.
No entanto não
concordo mais com as propostas do governo atual. Digo “mais” porque também já
votei e ajudei a eleger esses representantes que estão aí. Já acreditei nas propostas
que falaram e na possibilidade de erradicação da pobreza, na melhora na
distribuição de renda, na reforma agrária, tudo isso. Também achava que a turma
antiga já tinha tido sua chance e não tinham melhorado tudo o que precisava.
Infelizmente
para mim, tais mudanças não chegaram. Sei que muita gente foi beneficiada por
esses programas de distribuição de renda, muitos foram atendidos por médicos
cubanos, mais carros foram vendidos e mais pessoas foram contempladas por
financiamentos habitacionais. Só que eu não fui. Todas essas melhorias não
chegaram até mim. Eu também voto, pago imposto, e quero que os mais
necessitados recebam ajuda, mas me sinto posto de lado.
Veja bem, EU
NÃO SOU RICO. Também não sou pobre miserável, mas outrossim sou um trabalhador
honesto, que paga impostos e produz para este país. Graças a Deus tenho
condições de pagar um plano de saúde e escola particular. Infelizmente o
atendimento na saúde do SUS não me traz segurança e tenho medo que meu filho
seja esfaqueado em uma escola pública. Mas isso não me torna um PLAYBOY, muito
pelo contrário, cada vez mais preciso trabalhar e me reinventar para poder
acompanhar os preços destas necessidades básicas.
Como não ganho
nada com especulação, acabo não entendendo muito o que falam nos jornais. Não
sei para que servem os índices que mostram na televisão, mas sei quando está
faltando ética e quando alguma coisa errada está acontecendo. Quando vejo interferências
forçadas na economia, imposições LGBT para crianças, profissionais empurrados à
revelia dos conselhos de classe, dinheiro enviado para países fundamentalistas,
corrupção deslavada e ministros do STF votando de acordo com interesses de quem
os indicou, fico com uma sensação de que estão mandando neste país sem prestar
contas pra ninguém. Não se importam com a opinião da sociedade, simplesmente
fazem, e quem for contra é taxado de elitizado – o novo subversivo.
Na verdade o
que sinto com meu país é uma grande desilusão. Porque acreditei nos ideais de
fim da pobreza, mas descobri que isso foi apenas uma manobra pra garantir votos
e se manter no poder. Quando vejo ministros do STF, guarda nacional,
jornalistas e mídias específicas sendo tendenciosos em seus julgamentos,
sinto-me cercado e órfão, sem ter a quem recorrer, negligenciado por todos os
lados.
O que está
prestes a acontecer está muito próximo de uma DITADURA. Inicialmente com o
aparelhamento do Judiciário, das Forças Armadas (onde estão?), do jornalismo,
das estatais. Comissões da Verdade, Marco Civil da Internet, “Regulamentações”
da liberdade de imprensa, tudo isso enfim, que em tese poderia ser uma
evolução, acaba tendo um caráter estratégico, para que os líderes políticos
atuais possam se perpetuar no poder. Desta forma, torna-se cada vez mais
difícil se colocar contra toda essa onda, como um tsunami “politicamente
correto” que varre todos os antagonistas, calando assim os princípios da
democracia.
Com a atual
política de hoje, ou você é pobre e recebe mesada/benefícios para manter sua
pobreza limpa, ou você é amigo dos DONOS deste país e se mantém imune à
justiça, à inflação, ao MST, à mídia de aluguel. No meio fica a classe média,
iniciativa privada, autônomos, pequenos agricultores “ruralistas”, largados aos
impostos e aos desmandos. O país é da maioria, mas é a minoria que trabalha. E
olha que o partido é dos trabalhadores.
Mais do que
nunca, perdi a esperança. Aqueles em quem acreditei se revelaram lobos em pele
de cordeiro, perdi minha inocência. Dentro da minha paranóia, duvido que o
próximo presidente seja capaz de reverter essa dominação de todos os setores em
apenas 4 anos e ainda assim manter popularidade para o jogo político. Não sei
em quem votar desde deputado estadual, federal, até governador, senador,
presidente. Só tenho um sentimento de querer tirar quem está no poder agora,
pra ver se param de deitar e rolar às minhas custas.
Se antes
acreditei em um sonho, hoje acordei em uma dura realidade. Em nome de uma maior
justiça social, virei um novo excluído, sem direito a opinião e vez, pois cedi
tudo aos meus representantes políticos. Vamos ver se escolho melhor este ano,
depois de assistir a uma bonita propaganda eleitoral na TV.
Um abraço a todos,
Tenente Stark
Clap Clap Clap Tenente. Como sempre brilhante em suas observações! Um abraço.
ResponderExcluirNão há esperanças, quem entra na ciranda tem que cirandar...
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