segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Os Novos Excluídos

Os Novos Excluídos

Não me considero uma má pessoa. Sei que tenho meus defeitos e cometo erros propositadamente ou não, como qualquer ser humano. Mas não desejo o mal para os outros, nem exploro força de trabalho alheia, nem quero que exista pobreza ou miséria. Não me considero elite branca paulista, não sou ruralista, nem burguês, nem capitalista selvagem.
No entanto não concordo mais com as propostas do governo atual. Digo “mais” porque também já votei e ajudei a eleger esses representantes que estão aí. Já acreditei nas propostas que falaram e na possibilidade de erradicação da pobreza, na melhora na distribuição de renda, na reforma agrária, tudo isso. Também achava que a turma antiga já tinha tido sua chance e não tinham melhorado tudo o que precisava.
Infelizmente para mim, tais mudanças não chegaram. Sei que muita gente foi beneficiada por esses programas de distribuição de renda, muitos foram atendidos por médicos cubanos, mais carros foram vendidos e mais pessoas foram contempladas por financiamentos habitacionais. Só que eu não fui. Todas essas melhorias não chegaram até mim. Eu também voto, pago imposto, e quero que os mais necessitados recebam ajuda, mas me sinto posto de lado.
Veja bem, EU NÃO SOU RICO. Também não sou pobre miserável, mas outrossim sou um trabalhador honesto, que paga impostos e produz para este país. Graças a Deus tenho condições de pagar um plano de saúde e escola particular. Infelizmente o atendimento na saúde do SUS não me traz segurança e tenho medo que meu filho seja esfaqueado em uma escola pública. Mas isso não me torna um PLAYBOY, muito pelo contrário, cada vez mais preciso trabalhar e me reinventar para poder acompanhar os preços destas necessidades básicas.
Como não ganho nada com especulação, acabo não entendendo muito o que falam nos jornais. Não sei para que servem os índices que mostram na televisão, mas sei quando está faltando ética e quando alguma coisa errada está acontecendo. Quando vejo interferências forçadas na economia, imposições LGBT para crianças, profissionais empurrados à revelia dos conselhos de classe, dinheiro enviado para países fundamentalistas, corrupção deslavada e ministros do STF votando de acordo com interesses de quem os indicou, fico com uma sensação de que estão mandando neste país sem prestar contas pra ninguém. Não se importam com a opinião da sociedade, simplesmente fazem, e quem for contra é taxado de elitizado – o novo subversivo.
Na verdade o que sinto com meu país é uma grande desilusão. Porque acreditei nos ideais de fim da pobreza, mas descobri que isso foi apenas uma manobra pra garantir votos e se manter no poder. Quando vejo ministros do STF, guarda nacional, jornalistas e mídias específicas sendo tendenciosos em seus julgamentos, sinto-me cercado e órfão, sem ter a quem recorrer, negligenciado por todos os lados.
O que está prestes a acontecer está muito próximo de uma DITADURA. Inicialmente com o aparelhamento do Judiciário, das Forças Armadas (onde estão?), do jornalismo, das estatais. Comissões da Verdade, Marco Civil da Internet, “Regulamentações” da liberdade de imprensa, tudo isso enfim, que em tese poderia ser uma evolução, acaba tendo um caráter estratégico, para que os líderes políticos atuais possam se perpetuar no poder. Desta forma, torna-se cada vez mais difícil se colocar contra toda essa onda, como um tsunami “politicamente correto” que varre todos os antagonistas, calando assim os princípios da democracia.
Com a atual política de hoje, ou você é pobre e recebe mesada/benefícios para manter sua pobreza limpa, ou você é amigo dos DONOS deste país e se mantém imune à justiça, à inflação, ao MST, à mídia de aluguel. No meio fica a classe média, iniciativa privada, autônomos, pequenos agricultores “ruralistas”, largados aos impostos e aos desmandos. O país é da maioria, mas é a minoria que trabalha. E olha que o partido é dos trabalhadores.
Mais do que nunca, perdi a esperança. Aqueles em quem acreditei se revelaram lobos em pele de cordeiro, perdi minha inocência. Dentro da minha paranóia, duvido que o próximo presidente seja capaz de reverter essa dominação de todos os setores em apenas 4 anos e ainda assim manter popularidade para o jogo político. Não sei em quem votar desde deputado estadual, federal, até governador, senador, presidente. Só tenho um sentimento de querer tirar quem está no poder agora, pra ver se param de deitar e rolar às minhas custas.
Se antes acreditei em um sonho, hoje acordei em uma dura realidade. Em nome de uma maior justiça social, virei um novo excluído, sem direito a opinião e vez, pois cedi tudo aos meus representantes políticos. Vamos ver se escolho melhor este ano, depois de assistir a uma bonita propaganda eleitoral na TV.

Um abraço a todos,


Tenente Stark